TheGioBlog

it´s just me

Entre o limite e o excesso

Quando era mais nova, sempre fui uma criança e uma pré adolescente e até mesmo adolescente que nunca soube muito bem se defender por si mesma, varias situacoes ocorriam onde terceiros tinham que mediar a situação por mim.

Até que um dia, comum como outro, eu fui percebida como alguém difícil de lida, temperamental, e também sinto isso, toda essa raiva imensa dentro de mim.

Essa raiva, é uma faca de duas pontas, me consome e me faz muito mal, mas ao mesmo tempo tem uma parte dessa raiva que ninguém fala.

Ela me protege.

Foi a minha raiva que me ensinou a não aceitar qualquer coisa. Que me fez impor limites quando eu percebi que estavam passando por cima de mim. Que me fez levantar a voz quando eu já tinha ficado calada por tempo demais.

Foi a raiva, o rancor de ter escutado tanto, por tanto tempo, coisas que eu nunca mereci ouvir.
Ataques. Piadas de mau gosto. Comentários constrangedores. Nada disso vai mais me perturbar no meu mundo.

Passei a pegar dessa raiva, e usar como auto defesa. Tem pessoas nessa vida que só percebem o que de fato causam com suas palavras quando escutam de volta algo que não imaginavam.

Passei a pegar dessa raiva e usar como autodefesa.
Tem pessoas nessa vida que só percebem o que de fato causam com suas palavras quando escutam de volta algo que não imaginavam.

E, por muito tempo, eu fui essa pessoa que engolia. Que fingia que não doía. Que aceitava para não gerar conflito.

Até perceber que o silêncio também me machucava.

Então eu comecei a responder. Não da melhor forma sempre, não da forma mais calma, mas da forma que eu conseguia naquele momento.

E foi aí que eu entendi uma coisa difícil de admitir:
nem toda reação vem da força, às vezes ela vem do cansaço.

Cansaço de ser o alvo.
Cansaço de ser interpretada como exagerada por simplesmente sentir.
Cansaço de ter que explicar o óbvio para alguém.

Só que existe uma linha muito fina entre se defender e se perder.

Porque quando eu devolvo na mesma intensidade, por mais que pareça justo, eu também me coloco no mesmo lugar que me feriu.
E nem sempre isso me protege, mas às vezes só prolonga o que eu queria encerrar logo.

Hoje eu ainda sinto a raiva.
Ela ainda vem forte, rápida, quase automática.

Mas eu estou aprendendo a pausar entre o sentir e o reagir.
A entender se aquilo é um limite sendo atravessado, ou uma dor antiga pedindo voz.

Nem tudo precisa de resposta.
Mas algumas coisas precisam de posicionamento.

E talvez o meu desafio não seja deixar de ser intensa,
mas aprender a escolher quando a minha intensidade constrói por mim ou quando ela só destrói. Quando eu devo ou não relevar algo em prol de algo maior?

Essa raiva veio de toda dor que eu sofri em silencio? de tudo que guardei? de onde nasceu essa nova versão de mim?

Ou somos todos nós que algum dia, chegaremos a esse momento?

Leave a comment