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arcanos

o eremita e a rainha de espadas costumam se reconhecer antes mesmo de entender o motivo.

talvez porque carreguem o mesmo problema disfarçado de formas diferentes:
os dois sentem demais.

o eremita transforma sentimento em silêncio.
a rainha de espadas transforma sentimento em defesa.

mas os dois vivem tentando sobreviver ao próprio coração.

o eremita é o arcano da solitude emocional. aquele que se afasta quando ama demais porque acredita que precisa entender tudo sozinho antes de permitir que alguém atravesse a própria escuridão. ele sente profundamente, mas demonstra pouco. guarda emoções dentro do peito como quem tenta impedir o amor de virar vulnerabilidade.

e então aparece a rainha de espadas.

fria por fora.
precisa nas palavras.
inteligente demais pra não perceber tudo.
uma mulher que aprendeu a transformar dor em postura, saudade em ironia e medo em controle emocional.

mas a verdade é que a rainha de espadas nunca foi fria.

ela só cansou de sangrar na frente das pessoas erradas.

e talvez seja por isso que esses dois arcanos se atraem tanto:
porque ambos enxergam a tristeza escondida um no outro.

o eremita reconhece o cansaço emocional por trás da postura firme da rainha.
a rainha reconhece o amor escondido por trás do silêncio do eremita.

e então começa a tragédia.

porque nenhum dos dois sabe amar sem se defender.

o eremita desaparece quando sente demais.
a rainha corta antes de ser abandonada.

mas no fundo, por trás das defesas, eles nunca foram realmente feitos de espadas ou isolamento.

o eremita carrega dentro de si a sensibilidade silenciosa do valete de copas. existe algo profundamente emocional nele. um homem que ama de forma tímida, intensa e quase infantil às vezes. alguém que sente saudade em silêncio, que pensa demais antes de falar e que demonstra amor em pequenos detalhes invisíveis pro resto do mundo.

e escondida atrás da postura impecável da rainha de espadas existe uma rainha de copas exausta.

uma mulher que ama profundamente.
que cria futuros inteiros dentro da cabeça.
que transforma pessoas em lar emocional.
que sente tanto que às vezes o corpo inteiro parece pequeno demais pra carregar o próprio coração.

e talvez seja isso que torne essa combinação tão destrutiva e tão bonita ao mesmo tempo.

porque os dois se amam através do medo.

o eremita teme precisar de alguém.
a rainha teme não ser escolhida.
o valete de copas quer correr em direção ao amor.
a rainha de copas quer permanecer até nos dias difíceis.

e então todos esses arcanos passam a existir ao mesmo tempo dentro da mesma história.

o resultado é um amor enorme, confuso, profundamente emocional e quase sempre doloroso.

porque relações assim nunca são leves.

elas atravessam os dois lados da alma.
transformam silêncio em saudade.
transformam medo em explosão.
transformam pessoas fortes em criaturas emocionalmente vulneráveis só porque finalmente encontraram alguém capaz de alcançar partes escondidas dentro delas.

e talvez essa seja a verdadeira tragédia do eremita e da rainha de espadas:
os dois se entendem profundamente.
mas passam tempo demais tentando proteger o próprio coração um do outro, enquanto as versões feitas de copas imploram silenciosamente para apenas serem amadas sem precisar sobreviver ao amor primeiro.

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