TheGioBlog

it´s just me

tempestades silenciosas de yuna e ren

yuna não entendia por que amava ren daquele jeito.

e talvez essa fosse a parte mais assustadora de tudo.

porque não fazia sentido.

ela já tinha gostado de outras pessoas antes. já tinha sentido saudade, carinho, vontade de permanecer. mas aquilo era diferente. aquilo parecia grande demais pra caber numa história tão curta. intenso demais pra existir entre duas pessoas que ainda estavam tentando entender uma à outra.

às vezes yuna se pegava olhando pro teto no escuro pensando:
“por que isso parece tão enorme dentro de mim?”

porque ren não estava só nos pensamentos dela. estava no corpo. nas músicas. nas madrugadas. nos minutos silenciosos do dia. ele aparecia até nas pequenas pausas entre uma tarefa e outra, como se o coração dela estivesse constantemente procurando por ele mesmo quando a mente tentava descansar.

e o pior era perceber que o sentimento parecia desproporcional.

quase absurdo.

como se alguma coisa dentro dela tivesse reconhecido ren antes mesmo dela entender quem ele era.

isso a assustava profundamente.

porque yuna sempre teve medo de amar alguém mais do que era amada de volta.

e ainda assim, ali estava ela:
parando em hospital enquanto sentia falta dele.
chorando por alguém que ainda existia.
tentando transformar saudade em raiva porque admitir o tamanho do amor parecia humilhante demais.

às vezes ela queria arrancar aquele sentimento do peito só pra conseguir respirar normalmente de novo.

mas não conseguia.

porque mesmo machucada, mesmo cansada, mesmo depois dos surtos, dos textos enormes e das noites sem dormir, ainda existia uma parte dela que olhava pra ren com uma ternura quase infantil.

como se o coração dela não tivesse aprendido a desistir dele ainda.

e talvez fosse isso que mais confundia yuna:
o fato de que amar ren parecia completamente irracional.

não fazia sentido lógico.
não era saudável em vários momentos.
não era proporcional ao tempo.
não era equilibrado.

mas ainda assim parecia real demais pra ser ignorado.

porque no fundo, mesmo em meio ao caos, yuna ainda queria viver uma história de amor com ren.

uma história de verdade.

daquelas longas, difíceis, bonitas e imperfeitas que sobrevivem ao tempo.

ela queria viajar com ele sem pressa. queria ouvir ren falando sobre as coisas que ama até tarde da noite. queria decorar os hábitos dele nos detalhes pequenos. queria descobrir qual expressão ele faz quando acorda cansado. queria segurar a mão dele em ruas desconhecidas. queria sobreviver aos dias ruins juntos. queria aprender a amar alguém sem precisar fugir quando as coisas ficassem difíceis.

e talvez a pior parte fosse essa:
yuna conseguia imaginar um futuro inteiro ao lado de ren com uma facilidade assustadora.

como se o coração dela tivesse escolhido uma casa antes mesmo da vida permitir que ela entrasse.

ela não queria um romance perfeito.

queria um romance humano.

com dor às vezes.
com medo.
com crises.
com saudade.
com reconciliações no meio da madrugada.
com lágrimas honestas e amor suficiente pra atravessar os momentos difíceis sem transformar silêncio em abandono.

porque yuna não sonhava com amores fáceis.

ela sonhava com aqueles amores enormes dos filmes antigos:
os que machucam, transformam e salvam ao mesmo tempo.

e talvez fosse exatamente isso que tornasse tudo tão doloroso.

o fato de que, mesmo depois de tudo, ela ainda conseguia olhar pra ren e imaginar uma vida inteira acontecendo lentamente ao lado dele.

Leave a comment