eu não queria dizer isso em voz alta, por mais tempo do que consegui.
não porque eu não sinta,
mas porque eu sinto demais.
e sentimentos assim nunca foram seguros pra mim.
mas mesmo assim…
eu gosto de você.
e eu estou escrevendo “gosto”, pra evitar escrever a palavra amor, porque pode soar louco demais.
não que eu me importe.
mas eu vou seguir a norma culta.
eu gosto de você de um jeito silencioso, mas constante.
de um jeito que não exige nada,
mas ainda assim existe em tudo.
não é barulhento.
não é impulsivo.
não tenta ocupar espaço.
só fica.
e é exatamente isso que me assusta.
porque eu sei o que acontece quando eu deixo algo ficar.
eu começo a amolecer.
eu começo a confiar.
eu começo a acreditar que talvez dessa vez seja diferente.
e eu não sei se sei passar por isso de novo.
eu não estou procurando um relacionamento.
não estou procurando promessas, nem rótulos, nem algo que pese.
eu ainda estou aprendendo a existir com o meu passado,
com as partes de mim que aprenderam a se proteger cedo demais,
com o medo de dar demais e acabar sem nada de novo.
mas mesmo com tudo isso…
você me alcançou. e alcança todos os dias desde que eu te conheci.
e isso é raro.
porque eu não deixo as pessoas me alcançarem assim.
não mais.
não há muito, muito tempo.
mas com você, algo pareceu… fácil.
não perfeito, não idealizado, não forçado.
só real.
eu gosto do jeito que você existe sem tentar ser mais do que é.
do jeito que seus olhos dizem coisas que você nem percebe.
dos pequenos detalhes, dos momentos quietos, do jeito que você me escutava como se eu não fosse só alguém de passagem na sua vida.
você me fez sentir vista de um jeito que não me pediu pra mudar quem eu sou.
e acho que é por isso que isso ficou.
não porque foi intenso.
mas porque foi gentil.
e coisas gentis são as que eu nunca aprendi a manter. talvez por isso eu tenha tentado te afastar e ir embora cem vezes.
então sim… eu gosto de você.
mesmo com o medo.
mesmo com as memórias.
mesmo sabendo como isso pode acabar.
eu gosto de você sem te pedir pra ficar,
mas também sem fingir que isso não importa.
e talvez essa seja a versão mais honesta de mim que eu vi em anos.

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