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it´s just me

eu me recuso a ser um segredo

existe uma linha silenciosa entre privacidade e ocultamento.

uma protege o que ainda está sendo construído.

a outra apaga.

esse texto existe em algum ponto entre essas duas ideias.

eu não estou escrevendo por confusão.

estou escrevendo por observação.

o que começa como algo leve, indefinido e sem pressão, ainda assim pode carregar significado. pequenos gestos, ou a ausência deles, se acumulam. não como eventos isolados, mas como um padrão.

e padrões dizem mais do que explicações.

isso não é sobre exposição.

não é sobre visibilidade como validação.

é sobre coerência.

existir na vida de alguém não deveria exigir invisibilidade em todos os outros espaços.

existe uma diferença entre escolher não expor algo e ativamente esconder. uma é intenção. a outra é omissão.

e omissão tem peso.

o que é vivido no privado, mas evitado no público, cria uma dissonância difícil de ignorar. coloca uma pessoa em um lugar indefinido, não reconhecido e, com o tempo, insustentável.

é aí que o incômodo começa.

porque pode até existir presença, mas não existe continuidade.

pode até existir conexão, mas não existe clareza.

e clareza não é exigência.

é o mínimo.

é possível gostar de alguém e, ainda assim, reconhecer quando a estrutura ao redor desse sentimento não é suficiente.

é possível reconhecer o que existe sem aceitar a forma como isso está sendo oferecido.

isso não é sobre culpa.

nem sobre forçar definições.

é sobre reconhecer limites.

permanecer em algo que exige ajustes constantes nas próprias expectativas, para caber no que está disponível, é se reduzir aos poucos.

e se reduzir não é o mesmo que ceder.

no fim, a conclusão é simples, mesmo que o caminho até ela não seja.

eu não vou ocupar um espaço onde a minha presença depende de discrição.

não porque tudo precisa ser público,

mas porque nada que é real deveria precisar ser escondido.

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