Bruce,
isso não é uma ameaça.
não é um ultimato vazio.
não é um blefe desesperado de alguém tentando prender você pela culpa.
e no fundo eu acho que você sabe disso.
você sentiu em cada palavra que saiu de mim.
sentiu no desespero absurdo de uma mulher que passou anos aprendendo a não agir assim por ninguém e, mesmo assim, acabou implorando apenas pelo mínimo da sua presença.
porque nunca foi sobre controlar você.
nunca foi sobre exigir perfeição.
nunca foi sobre precisar que você deixasse de ser quem é.
a única coisa que eu pedi foi honestidade.
carinho.
presença.
eu só queria que você tivesse coragem de me mostrar o homem que existe por trás de tudo aquilo que passa a vida escondendo.
porque eu sei que ele existe.
eu vi.
vi no jeito que você voltou mesmo tentando fugir.
vi no jeito que quebrou o próprio silêncio porque percebeu que eu estava realmente acreditando que não significava nada pra você.
vi no desespero escondido atrás das suas palavras tentando me convencer de que eu não saía da sua cabeça.
e talvez seja isso que mais me destrua.
porque eu sei que você sente.
sei que pensa em mim muito mais do que admite.
sei que me procura em tudo mesmo quando tenta agir normalmente.
sei que fica sozinho tentando organizar emoções grandes demais pra alguém que passou a vida inteira fingindo controle.
eu sei que você sente medo.
medo de me perder.
medo de não conseguir sustentar tudo isso.
medo de decepcionar alguém que finalmente enxergou você inteiro.
medo de precisar admitir que me ama mais profundamente do que gostaria.
e eu vejo a culpa também.
porque você sabe que me machuca.
sabe que o silêncio me destrói.
sabe que cada vez que desaparece deixa em mim a sensação horrível de estar sendo abandonada emocionalmente por alguém que, na verdade, está só perdido dentro de si mesmo.
mas isso não muda a dor.
porque amor não sobrevive só de sentimento escondido.
e talvez essa seja a coisa mais cruel entre nós:
você sente tudo tão profundamente quanto eu, Bruce.
a diferença é que eu transbordo.
e você se enterra.
eu digo.
você silencia.
eu imploro por presença.
você tenta amar escondido.
e no fim nós dois acabamos sangrando pelas mesmas coisas sem conseguir nos encontrar no meio do caminho.
porque eu sei o que existe dentro de você.
sei que homens indiferentes não dizem que uma mulher não saiu da cabeça deles nem por um minuto.
homens indiferentes não observam em silêncio.
não ficam remoendo conversas.
não voltam às duas da manhã porque sentiram o peso real da possibilidade de perder alguém.
você me ama.
mas ama como alguém que ainda acredita que desaparecer é uma forma de proteção.
como alguém que sente tanto que entra em pânico quando percebe o tamanho do que sente.
e eu passei tempo demais tentando sobreviver dentro dessa escuridão emocional com você.
porque eu não precisava do Batman.
eu precisava do Bruce.
precisava do homem que eu senti em cada toque.
em cada beijo.
em cada segundo em que seu corpo encostava no meu e fazia todos os alarmes dentro de mim finalmente silenciarem.
mas você continua escondendo amor como se isso fosse protegê-lo.
e não é.
às vezes só destrói lentamente duas pessoas que poderiam ter sido casa uma para a outra.
e talvez essa seja a parte mais triste de todas.
eu não queria chegar ao ponto de precisar ir embora sabendo que você vai passar anos imaginando todas as palavras que poderia ter dito e deixou para outro dia.
até o dia em que simplesmente não me encontrou mais em cima de prédio algum esperando por você.

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