às vezes yasmin pensa que algumas pessoas chegam na nossa vida apenas para nos ensinar sobre ausência.
não aquela ausência física simples, suportável, mas a ausência emocional de estar ao lado de alguém que nunca esteve verdadeiramente ali.
yasmin aprendeu rápido. rápido demais.
aprendeu que algumas pessoas enxergam luz como quem encontra abrigo temporário durante uma tempestade. entram, aquecem as mãos, descansam o ego cansado, recebem amor, cuidado, paciência, acolhimento. e depois vão embora como se nunca tivessem ocupado espaço nenhum.
como se não tivessem levado partes inteiras de alguém junto delas.
ela aprendeu cedo que às vezes entregamos nosso coração para canalhas. homens tão vazios que não se importam em consumir a sensibilidade dos outros até cansarem. homens que confundem amor com acesso. presença com posse. carinho com conveniência.
e talvez a pior parte tenha sido perceber que ele não valia nem um terço do sofrimento que causou.
porque yasmin sofria enquanto ele dormia tranquilo.
yasmin tentava entender enquanto ele evitava sentir.
yasmin carregava o peso inteiro da destruição enquanto ele seguia vivendo normalmente, como quem derruba uma casa e apenas troca de calçada depois.
por coincidência cruel da vida, eu reconheci nela dores que eu também conhecia bem demais.
o olhar cansado de quem tenta justificar silêncios.
a mania de transformar migalhas em esperança.
o desespero de acreditar que, se amar direito o suficiente, talvez a pessoa finalmente escolha ficar.
mas algumas pessoas nunca ficam.
porque nunca souberam amar ninguém além delas mesmas.
e yasmin aprendeu rápido que existem pessoas tão ocas por dentro que precisam roubar luz alheia para se sentirem vivas por alguns instantes.
até cansarem.
até enjoarem.
até encontrarem outra chama para apagar depois.
mas diferente deles, yasmin sente tudo profundamente.
e talvez seja exatamente isso que vá salvá-la no final.

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