ela queria ficar bem com ele logo.
não porque dependesse dele pra existir.
não porque tivesse perdido completamente a própria identidade dentro da situação.
mas porque estava cansada.
cansada da tensão.
do excesso de pensamento.
da ansiedade silenciosa que transformava qualquer notificação em um pequeno evento cardíaco.
ela queria só voltar pro lugar onde tudo parecia leve.
onde conversar não exigia coragem emocional.
onde gostar de alguém não parecia atravessar o corpo inteiro como uma febre.
e talvez a maior surpresa de todas tenha sido perceber que, pela primeira vez em semanas, sentiu alívio no silêncio.
não porque não quisesse uma resposta.
queria.
mas porque o próprio corpo já não aguentava mais viver em estado constante de expectativa.
ela percebeu que tinha chegado num ponto em que precisava respirar antes de qualquer outra coisa.
respirar de verdade.
voltar a dormir sem esperar uma mensagem.
voltar a viver um dia inteiro sem transformar cada pensamento nele numa análise emocional profunda.
porque ela já tinha feito a própria parte.
falou tudo.
explicou o que sentia.
pediu desculpas pelo que precisava pedir.
abriu o coração com honestidade.
agora, a parte dele começava.
e talvez essa fosse a única coisa realmente impossível de controlar:
o tempo emocional do outro.
ela ainda queria que desse certo.
ainda queria encontrá-lo de novo sem toda aquela tensão entre os dois.
ainda queria acreditar que sentimentos tão profundos não surgem por acaso.
mas agora…
que levasse o tempo que precisasse levar.
porque algumas coisas não podem ser resolvidas no impulso.
ela esperava que ele usasse esse tempo pra entender o que realmente queria.
se queria mesmo aquilo.
se estava disposto a viver algo daquela dimensão emocional ou não.
e pela primeira vez, ela também entendeu que precisava usar esse tempo pra si mesma.
não pra esquecer.
não pra deixar de amar.
mas pra voltar pro próprio eixo.
porque amor nenhum deveria consumir alguém inteiro.
e no fundo, existia até um pensamento silencioso que às vezes atravessava sua cabeça:
talvez fosse mais fácil se ele nunca mais respondesse.
não porque ela não quisesse ele.
mas porque existiam sentimentos tão grandes que mudavam completamente a forma como alguém atravessa o próprio cotidiano.
e ela precisava voltar a respirar sem medo.
então agora, pela primeira vez desde o começo de tudo, ela não queria correr atrás de resposta nenhuma.
queria só tempo.
tempo suficiente pra ele pensar.
tempo suficiente pra ela respirar.
tempo suficiente pra descobrir se algumas conexões sobrevivem mesmo depois do caos.

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