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Taylor Swift em: Quando só o amor não consegue sustentar uma relação

Taylor Swift tem muitas músicas sobre términos. Mas algumas delas, quando colocadas lado a lado, parecem contar algo um pouco mais específico do que simplesmente o fim de uma história.

My Boy Only Breaks His Favorite Toys, You’re Losing Me e The Smallest Man Who Ever Lived parecem, para mim, três momentos diferentes da mesma relação.

Primeiro existe a intensidade.

Depois vem a instabilidade.

E, por último, a percepção de que talvez aquilo que parecia tão grande no começo nunca tenha sido sustentado com a mesma grandeza.

Talvez seja por isso que essas músicas conversem tanto comigo agora.

Não porque contem exatamente uma história específica, mas porque descrevem muito bem algumas relações que começam rápido demais, crescem rápido demais e, justamente por isso, fazem a gente demorar muito mais para perceber quando alguma coisa já não está funcionando.

O começo: quando alguém quer muito, mas não sabe sustentar

Em My Boy Only Breaks His Favorite Toys, Taylor parte de uma metáfora quase infantil para falar de algo muito adulto.

“Meu garoto só quebra seus brinquedos favoritos.”

É uma frase pequena, mas diz muita coisa.

Porque existe uma diferença entre não querer alguma coisa e querer tanto que, depois de conseguir, não saber o que fazer com ela.

E acho que algumas pessoas são exatamente assim dentro de uma relação.

Elas sabem chegar.

Sabem demonstrar.

Sabem criar intensidade.

Sabem fazer planos.

Sabem fazer você acreditar que existe um lugar para você ali.

E talvez seja justamente isso que torne tudo mais confuso depois.

Porque quando uma pessoa chega te convencendo de que sabe exatamente o que quer, é natural acreditar que ela também vai saber sustentar aquilo quando a novidade passar.

Só que nem sempre.

Às vezes a pessoa é muito boa em conquistar e péssima em permanecer.

Ela gosta da intensidade do começo, da sensação de ter alguém, da certeza de que foi escolhida. Mas quando aquela relação começa a exigir constância, responsabilidade, conversa e decisão, alguma coisa muda.

E quem está do outro lado demora para entender.

Porque pensa:

“Mas você não era assim.”

“Você já soube fazer diferente.”

“Eu já me senti segura aqui.”

E talvez seja por isso que tantas pessoas permaneçam em relações instáveis por mais tempo do que imaginavam.

Não estão esperando alguém completamente novo aparecer.

Estão esperando o retorno de alguém que já existiu.

E existe uma armadilha muito grande nisso.

Porque quando você já conheceu a melhor versão de alguém, começa a medir o presente pelo potencial do passado.

Você sabe que aquela pessoa consegue.

Você já viu.

E então continua esperando.

O meio: quando uma pessoa tenta salvar por duas

É aí que You’re Losing Me entra.

E, para mim, essa é talvez a parte mais dolorosa dessa narrativa.

Taylor não diz “você me perdeu”.

Ela diz:

“Você está me perdendo.”

E existe uma diferença enorme entre essas duas frases.

“Você me perdeu” é conclusão.

“Você está me perdendo” é processo.

Ainda existe tempo.

Ainda existe uma janela.

Ainda existe alguma coisa que poderia ser feita.

E acho que justamente por isso essa música dói tanto.

Porque ela não fala de alguém que decidiu ir embora de repente.

Fala de alguém que ficou tempo demais avisando que estava indo embora.

Talvez uma das coisas mais desgastantes dentro de uma relação seja perceber que você está constantemente tentando salvar aquilo que deveria estar sendo cuidado pelos dois.

Você conversa.

Explica.

Perdoa.

Espera.

Tenta entender.

Dá espaço.

Depois tenta diminuir o espaço.

Fala o que está machucando.

Depois fala de novo porque aparentemente não ficou claro o suficiente na primeira vez.

E, em algum momento, você percebe que virou quase uma negociadora da própria permanência.

E isso é uma sensação muito estranha.

Porque você ainda ama aquela pessoa.

Ainda gostaria que desse certo.

Ainda consegue lembrar exatamente por que ficou.

Mas começa a surgir uma pergunta que muda completamente a relação:

por que sou sempre eu tentando impedir que isso termine?

Acho que essa é a parte de You’re Losing Me que mais me pega hoje.

Porque existe uma diferença enorme entre lutar por alguém e tentar convencer alguém a lutar com você.

Na primeira situação, existe dificuldade.

Na segunda, existe solidão.

E talvez seja isso que a música consiga retratar tão bem.

Você não está necessariamente sozinha.

Mas está sozinha na urgência.

Sozinha percebendo que alguma coisa está acabando.

Sozinha tentando colocar as peças de volta no lugar.

Sozinha perguntando o que precisa mudar.

E talvez a outra pessoa até sinta.

Talvez ame.

Talvez tenha medo de perder.

Talvez pense muito sobre tudo aquilo.

Mas chega um momento em que sentir começa a parecer pouco.

Porque relações não acontecem apenas dentro da cabeça das pessoas.

Elas acontecem nas atitudes.

E essa talvez tenha sido uma das coisas mais difíceis para mim entender.

Alguém pode sentir muito e ainda assim fazer muito pouco.

Pode sentir saudade e continuar longe.

Pode ter medo de perder e continuar parado.

Pode amar de algum jeito e, ainda assim, não saber transformar esse sentimento em uma relação que não machuque.

E existe uma crueldade particular nisso.

Porque quando a outra pessoa não decide, alguém eventualmente precisa decidir por ela.

Quando ela não age, alguém precisa agir.

Quando ela não encerra, mas também não sustenta, você fica presa num lugar que não é exatamente uma relação e também não é exatamente um fim.

Talvez seja por isso que ir embora seja tão difícil.

Porque às vezes você nem queria ir.

Você queria que a outra pessoa finalmente fizesse alguma coisa que te desse motivo para ficar.

Em determinado momento de You’re Losing Me, Taylor questiona se deve abandonar tudo aquilo que os dois construíram.

E acho essa pergunta muito real.

Porque quem tenta salvar uma relação durante muito tempo geralmente não vai embora com certeza absoluta.

Vai embora cansado.

Vai embora ainda pensando “e se?”.

E se eu tivesse esperado mais?

E se agora ela finalmente mudasse?

Só que essa lista pode continuar para sempre.

Porque sempre existe mais alguma coisa que você poderia fazer.

A questão é que chega um momento em que isso deixa de importar.

Não porque você fez tudo perfeitamente.

Mas porque não deveria ser necessário fazer tudo sozinho.

E talvez essa seja a maior mudança de perspectiva dessa fase.

A pergunta deixa de ser:

“O que mais eu poderia fazer para salvar isso?”

E passa a ser:

“Por que sou eu quem ainda está tentando salvar?”

O fim: quando a pessoa diminui

Depois disso, The Smallest Man Who Ever Lived quase parece inevitável.

Porque existe uma fase posterior à tristeza em que vem a desilusão.

Você começa a olhar para aquela pessoa sem a mesma lente do começo.

E talvez seja aí que ela diminua.

Não necessariamente porque nunca tenha significado nada.

Muito pelo contrário.

Às vezes alguém só consegue parecer pequeno justamente porque, antes, ocupou um espaço enorme.

Taylor pergunta, em determinado momento:

“Você foi enviado por alguém que queria me ver morta?”

É uma imagem exagerada, claro.

Mas emocionalmente ela faz sentido.

Porque existe uma fase em que você olha para tudo aquilo que aconteceu e pensa:

“Como alguém que dizia sentir tanto conseguiu agir assim?”

“Como alguém que parecia tão certo ficou tão covarde quando precisou decidir?”

“Como alguém que entrou tão intensamente conseguiu sair deixando tanta coisa sem resposta?”

E acho que esse é o ponto mais interessante da música.

O “menor homem” não precisa ser alguém que nunca teve importância.

Pode ser justamente alguém que parecia enorme até chegar o momento de assumir responsabilidade.

É muito fácil parecer grande na conquista.

Na declaração.

Na intensidade.

Na promessa.

Difícil é continuar grande quando chega a hora de conversar sobre o que você fez.

Admitir que errou.

Pedir desculpas.

Mudar comportamento.

Escolher.

Ou até simplesmente dizer com clareza que não consegue mais continuar.

Existe uma grandeza emocional em responsabilidade.

E existe algo muito pequeno em criar caos e depois se esconder da consequência dele.

As três músicas contam a mesma história

Talvez seja por isso que, para mim, as três funcionem tão bem juntas.

My Boy Only Breaks His Favorite Toys fala de alguém que desejou tanto uma coisa e depois começou a destruí-la.

You’re Losing Me fala sobre quem está do outro lado percebendo a destruição e tentando impedir que ela aconteça.

E The Smallest Man Who Ever Lived chega depois, quando já existe distância suficiente para olhar para trás e perguntar quem aquela pessoa realmente foi quando precisou responder pelo que fez.

É quase uma linha do tempo.

Acho que existe também uma mudança importante em quem passa por essa narrativa.

No começo, você está tentando entender a outra pessoa.

No meio, está tentando salvar a relação.

No final, começa finalmente a olhar para si.

E talvez seja aí que o papel de vítima deixe de fazer sentido para mim.

Eu não gosto da ideia de olhar para uma história assim e pensar que alguém simplesmente “me fez de idiota”.

Eu sei por que fiquei.

Porque existiram motivos.

Porque aquela intensidade não foi inventada na minha cabeça.

Porque houve momentos em que eu realmente me senti escolhida.

Porque alguém construiu comigo uma sensação de segurança que, depois, não conseguiu manter.

Não existe vergonha em ter acreditado naquilo que alguém fazia questão de demonstrar.

Mas existe uma responsabilidade nossa quando começamos a perceber que a realidade mudou.

E talvez seja isso que eu esteja entendendo agora.

Não adianta continuar julgando uma relação pelo que ela foi no começo.

Nem pelo que poderia voltar a ser.

Nem pelo que a outra pessoa diz sentir em silêncio.

Em determinado momento, o presente precisa valer mais do que o potencial.

Porque intensidade não é constância.

Saudade não é atitude.

Medo de perder não é escolha.

E sentimento sem ação pode ser muito verdadeiro para quem sente, mas continua sendo muito pouco para quem está do outro lado esperando alguma coisa concreta.

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