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a cura da olivia rodrigo e o que isso diz sobre o feminino

acho que um dos versos mais brutais de the cure é quando Olivia Rodrigo canta “tally up the girls that he fucked till i start to cry”.

porque parece simples quando você ouve rápido. quase impulsivo. mas na verdade aquilo traduz uma humilhação emocional muito específica que muitas meninas conhecem perfeitamente.

o ato de contabilizar mulheres.

comparar.
somar.
imaginar.
se torturar.

não porque elas realmente importam individualmente, mas porque a cabeça feminina apaixonada começa a transformar cada garota numa prova silenciosa de insuficiência.

e isso é devastador justamente porque é irracional e consciente ao mesmo tempo. a menina sabe que está se machucando fazendo isso, mas continua.

continua olhando.
continua pensando.
continua se perguntando:
“ele tratava elas assim também?”
“com elas ele foi mais fácil?”
“ele gostou mais delas?”
“por que parece que todas conseguem uma versão dele que eu nunca alcanço?”

e talvez o mais triste seja que isso virou quase um comportamento coletivo feminino.

a ex se compara com a atual.
a atual se compara com a próxima.
a menina nova stalkeia a antiga.
a antiga tenta entender quem veio depois.

como se todas estivessem tentando encontrar respostas umas nas outras, quando o problema muitas vezes nunca esteve nelas.

e o verso da Olivia dói tanto porque ele não fala só sobre ciúme. fala sobre desintegração emocional. sobre chegar num ponto de obsessão e insegurança em que você começa literalmente a “contabilizar” mulheres na tentativa desesperada de entender o seu lugar na vida de alguém.

até chorar.

porque no fundo, a comparação feminina quase nunca é realmente sobre beleza ou sexo.

é sobre ser escolhida inteira.

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