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it´s just me

Tem dias em que parece que nada está realmente errado.

O mundo continua girando. O telefone toca. As pessoas riem. Existe amor. Existe carinho. Existe a certeza de que, se me perguntassem agora, eu diria que sou feliz.

Mas existe também essa tristeza pequena que nunca vai embora.

Ela se esconde nas coisas que parecem bobas demais para explicar em voz alta. Na mensagem que não chegou. Nas horas de silêncio. No desaparecimento sem aviso. Nos pedidos simples que ficaram pelo caminho. Nas pequenas coisas que, sozinhas, não significam quase nada, mas juntas formam uma montanha.

E eu fico me perguntando se é assim mesmo.

Se amar alguém é aceitar viver com a sensação constante de estar esperando alguma coisa.

Talvez o problema seja que meu coração sempre corre mais rápido do que a realidade. Enquanto ele vive um dia de cada vez, eu construo futuros inteiros dentro da cabeça. Invento conversas, mudanças, promessas. Imagino pedidos que nunca foram feitos. Imagino versões dele que talvez nem existam.

E então a realidade volta.

Ela sempre volta.

E a realidade é só uma pessoa vivendo a própria vida enquanto eu tento descobrir se existe espaço suficiente para mim dentro dela.

Às vezes tenho medo de sentir mais.

Medo de estar entregando um amor que cresce enquanto o outro permanece exatamente do mesmo tamanho. Medo de acordar um dia e perceber que transformei esperança em expectativa e expectativa em sofrimento.

Também me odeio um pouco pelas comparações.

Pelas perguntas que não faço.

Pelo impulso de olhar para as pessoas que vieram antes de mim e procurar alguma resposta impossível. Como se existisse uma explicação matemática para o amor. Como se eu pudesse descobrir o que elas tinham e eu não tenho.

Mas a verdade é que nenhuma dessas perguntas me traz paz.

Só me deixam mais cansada.

E talvez seja por isso que hoje eu não queira conversar.

Porque passei tanto tempo tentando explicar o que sinto que agora não tenho mais palavras. Só essa sensação de peso. Essa tristeza quieta. Essa vontade de me recolher para dentro de mim mesma.

Existe uma parte egoísta da tristeza sobre a qual ninguém fala.

Não é só o medo de perder alguém.

É o medo de perder a si mesma.

Porque eu sei que, se continuar acumulando todas essas pequenas dores, uma hora alguma coisa dentro de mim vai cansar. Não por falta de amor. Talvez justamente pelo excesso dele.

E isso me assusta.

Porque eu olho para tudo o que sinto e sei que é real. Sei da forma como meu peito se ilumina quando ele aparece. Sei do amor que existe aqui. Sei das coisas bonitas que ainda quero viver.

Mas também sei que ninguém consegue sobreviver para sempre apenas de amor.

As pessoas precisam de cuidado. De presença. De pequenas confirmações de que não estão imaginando tudo sozinhas.

Às vezes fico pensando que, se essa tristeza finalmente me consumir, não vai ser só eu que vou perder alguma coisa.

Porque eu também sou alguém para ser perdido.

Eu também sou a voz que liga para contar uma coisa boa. Sou a pessoa que lembra dos detalhes. Que se preocupa. Que ama com uma intensidade quase constrangedora.

E talvez ele nem perceba isso agora.

Talvez eu mesma esqueça disso às vezes.

Mas a verdade é que, se um dia eu cansar, ele não estará perdendo apenas alguém que o ama.

Estará perdendo justamente a pessoa que o amou desse jeito raro, exagerado e inteiro.

E pensar nisso dói.

Não quero acordar um dia e descobrir que a tristeza ocupou todos os espaços onde antes havia ternura.

Mas também não sei quanto tempo alguém consegue sobreviver sentindo falta de algo que ainda está ali.

Porque essa é a parte mais cruel de todas.

Eu amo.

E talvez seja justamente esse o problema.

Porque amar alguém deveria trazer abrigo.

Mas, às vezes, tudo o que ele deixa é uma saudade que nem aconteceu ainda.

O medo constante de que, enquanto tento protegê-lo de todas as dores do mundo, ninguém esteja me protegendo das minhas.

E eu fico aqui, entre a vontade de ficar e o cansaço de insistir, torcendo para que ele perceba antes que seja tarde.

Porque, se essa tristeza me consumir por completo, não será apenas eu quem vai perder alguém.

Ele também perderá.

E eu acho que ele não faz ideia disso.

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