Meu peito chama por ele
Chama quando estou distraída.
Chama quando estou ocupada.
Chama quando o mundo inteiro faz barulho
e quando a madrugada finalmente silencia.
Como se meu coração tivesse desaprendido a bater
e agora soubesse apenas procurá-lo.
Eu sonho com ele.
Não apenas com seu rosto.
Sonho com sua voz.
Com suas mãos.
Com o jeito como pronuncia meu nome.
Com as palavras pequenas que, ditas por qualquer outra pessoa, não significariam nada,
mas que na boca dele se tornam capazes de sustentar um dia inteiro.
Amo quando me chama de amor.
Amo quando me chama de bebezinha.
E talvez seja ridículo admitir isso,
mas eu guardaria essas palavras em uma caixa de vidro
se pudesse.
Meus olhos o procuram em toda parte.
Em ruas movimentadas.
Em estacionamentos.
Em filas.
Em rostos desconhecidos.
Como se alguma parte de mim acreditasse
que ele pode aparecer a qualquer instante
e devolver ao mundo o eixo que ele perde quando está longe.
Quando algo ruim acontece,
é nele que penso.
É para ele que meu coração corre.
Como uma criança perdida procurando o caminho de casa.
E quando algo maravilhoso acontece,
é nele que penso também.
Porque alegria, quando não pode ser dividida com ele,
parece menor.
Parece incompleta.
Parece um céu cheio de fogos
sem ninguém para olhar ao meu lado.
Talvez porque, para mim,
ele seja a pessoa mais inteligente do mundo.
Aquela que sempre sabe.
Que encontra respostas onde eu só encontro dúvidas.
Que me faz acreditar que tudo ficará bem
simplesmente porque existe.
Quando tenho medo,
não penso em portas trancadas.
Não penso em muralhas.
Não penso em santos.
Penso nele.
Porque a proteção, para mim,
tem o som da voz dele.
Tem o peso das mãos dele.
Tem o formato exato do seu abraço.
E nunca senti isso.
Nunca.
Nunca fui atravessada por alguém dessa forma.
Já gostei.
Já me apaixonei.
Já sofri.
Mas isso é outra coisa.
Isso corre nas minhas veias.
Isso se esconde nos meus pensamentos mais distraídos.
Isso vive em lugares onde nem eu consigo alcançar.
Até os meus segredos sabem quem ele é.
Até as coisas que escondo do mundo carregam vestígios dele.
E às vezes me assusta perceber o tamanho disso.
Porque eu sei.
Sei com uma certeza quase cruel.
Jamais sentirei uma obsessão assim novamente.
Jamais amarei alguém com esta intensidade devastadora.
Com esta entrega imprudente.
Com esta devoção que beira o absurdo.
E talvez seja justamente por isso que eu tenha tanto medo.
Porque também sei que, se um dia isso acabar,
não será apenas tristeza.
Não será apenas saudade.
Será a maior dor que já atravessou o meu peito.
O maior coração partido de todas as minhas vidas.
A tragédia pela qual medirei todas as outras.
Porque algumas pessoas entram em nossa história.
Mas algumas entram em nosso sangue.
E depois disso,
já não existe maneira de removê-las sem levar um pedaço de nós junto.

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