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it´s just me

um mês é tempo demais

semana que vem faz um mês.

um mês desde a última vez que vi ele pessoalmente.
e talvez isso explique porque tudo parece tão estranho ultimamente.

porque um mês não deveria parecer tanto tempo assim.
trinta dias passam rápido o tempo inteiro.
passam rápido na faculdade.
passam rápido nas férias.
passam rápido na vida das outras pessoas.

mas quando você sente falta de alguém de verdade, um mês começa a parecer uma dimensão paralela inteira.

o pior é que eu consigo lembrar exatamente da última vez.

do jeito que ele tava.
das roupas.
da voz.
do cheiro.
das pequenas coisas que o cérebro da gente guarda sem autorização.

e isso me irrita profundamente.

porque eu queria muito ser uma pessoa mais prática.
queria ser o tipo de mulher que simplesmente segue a vida quando as coisas ficam difíceis.
mas, em vez disso, eu escrevo textos gigantes sobre um menino que provavelmente tá trabalhando agora enquanto eu penso no fato de que faz quase um mês desde a última vez que encostei nele.

e eu tenho quase certeza que ele nem percebeu isso ainda.

tenho certeza que eu vou perceber a data antes dele.
que eu vou olhar pro calendário e pensar “meu deus, faz um mês”.
enquanto ele provavelmente só vai perceber depois.
ou talvez nem perceba.

porque eu sou o tipo de pessoa que lembra de datas emocionais como se fossem aniversários.
o cérebro marca.
o corpo marca.
o coração marca.

e talvez seja exatamente isso que esteja me enlouquecendo agora:
o tempo passando.

os dias continuam acontecendo normalmente.
as aulas continuam.
o trabalho continua.
a cidade continua.
as pessoas continuam vivendo.

e, mesmo assim, parece que existe uma parte minha parada exatamente no mesmo lugar de semanas atrás.

e isso me dá uma agonia absurda.

porque eu odeio sentir que estou perdendo tempo.
odeio a sensação de que a vida continua andando enquanto alguma coisa importante demais fica suspensa no ar sem resolução.

às vezes eu penso no fato de que quase um mês inteiro passou enquanto nós dois estamos presos num silêncio estranho e isso me destrói um pouco.

porque um mês é muito tempo quando tudo que você queria era ficar bem com alguém.

um mês é muito tempo quando você sente falta.
quando você ama.
quando você queria resolver e simplesmente voltar pro lugar onde tudo parecia leve.

e talvez a pior parte seja perceber que ninguém devolve tempo pra ninguém depois.

ninguém devolve os dias perdidos.
as noites mal dormidas.
a ansiedade.
o medo.
o vazio estranho de não saber em que lugar da vida do outro você existe agora.

e o mais absurdo é que eu nunca fui assim.

essa talvez seja a parte mais difícil de explicar.

porque eu sempre fui a pessoa que vai embora.
a pessoa que segue.
a pessoa que racionaliza.
a pessoa que se decepciona e continua vivendo mesmo triste.

eu já tive relacionamentos longos.
já vivi términos.
já vi pessoas indo embora da minha vida.

e nunca aconteceu isso.

nunca aconteceu de alguém ocupar minha cabeça desse jeito.
nunca aconteceu de um silêncio me consumir assim.
nunca aconteceu de eu sentir que o tempo passando sem resolver alguma coisa me dava quase desespero físico.

e talvez seja por isso que tudo parece tão bizarro.

porque se fosse qualquer outra pessoa, eu já teria seguido em frente emocionalmente.
já teria me afastado.
já teria perdido o interesse.

mas com ele tudo parece absurdamente diferente pra mim.

como se meu emocional inteiro tivesse desaprendido a funcionar do jeito que sempre funcionou.

e talvez seja isso que mais me assuste.

porque eu sinceramente não acho que vou conseguir seguir minha vida emocionalmente tão cedo.
às vezes parece até que nunca.

não porque eu ache que ele é o único homem do mundo.
mas porque agora todas as outras pessoas perderam completamente a graça.

parecem erradas.
vazias.
distantes.

e qualquer tentativa de imaginar outra pessoa perto de mim me dá quase náusea.

enquanto isso, eu continuo aqui, tentando entender qual lugar eu ainda ocupo na vida dele.

e talvez seja exatamente isso que mais dói:
amar alguém profundamente enquanto vive dentro da dúvida silenciosa de não saber se ainda existe espaço pra você no coração dessa pessoa também.

porque eu ainda espero que a gente fique bem.
ainda espero olhar pra tudo isso um dia e pensar que foi só uma fase difícil entre duas pessoas que se gostam muito.

mas agora… que leve o tempo que precisar levar.

mesmo que parte de mim continue achando cruel perceber o tempo passando enquanto duas pessoas que claramente se importam uma com a outra continuam perdendo dias que poderiam estar vivendo juntas.

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