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Talvez Meu Último Texto Sobre Você

talvez esse seja meu último texto sobre você.

engraçado, porque eu sempre imaginei que, se um dia acabasse, seria por falta de amor. por rotina. por distância. por qualquer uma dessas coisas que fazem sentido quando duas pessoas deixam de se encontrar no meio do caminho.

mas não foi isso.

o amor continuou aqui. inteiro. sentado na mesma mesa de sempre.

e talvez seja justamente isso que torne tudo tão difícil de entender.

eu passei meses te assistindo lutar contra você mesmo. vendo você oscilar entre ficar e ir embora, entre confiar e correr, entre se entregar e procurar uma saída de emergência para sentimentos que ficaram grandes demais.

e eu sabia.

eu sempre soube.

sabia do medo. sabia da autossabotagem. sabia das dúvidas. sabia das noites em que sua cabeça gritava coisas que seu coração não conseguia acompanhar.

o que eu nunca imaginei era que, no final, você escolheria fugir de mim.

porque fugir de você mesmo eu já sabia que você fazia.

mas de mim?

eu nunca acreditei.

talvez porque eu tenha te amado com uma fé quase absurda. talvez porque eu tenha enxergado coisas em você que nem você conseguia enxergar. talvez porque, por mais complicado que tudo fosse, eu realmente acreditasse que eu valia a pena.

e eu ainda acho que valho.

não porque sou perfeita.

mas porque amor nunca foi o problema aqui.

eu conheço meus defeitos. conheço meus medos. conheço minhas inseguranças. mas eu acordava todos os dias escolhendo enfrentar tudo isso porque, pela primeira vez na vida, eu tinha encontrado alguém que fazia esse esforço parecer pequeno.

e era só você.

você e suas gatinhas.

você deitado no meu sofá.

você falando de futebol, de batman, de qualquer assunto aleatório por horas.

você me chamando de amor.

você existindo na minha rotina de um jeito tão natural que parecia que sempre esteve ali.

e talvez seja isso que mais doa.

não perder um relacionamento.

perder um futuro.

perder todas as pequenas memórias que ainda não aconteceram.

eu queria ter conhecido versões suas que nunca vou conhecer.

queria ter sido amiga da sua irmã.

queria ter te mostrado mais filmes.

mais restaurantes.

mais pedaços meus.

queria ter construído uma vida cheia de lembranças pequenas e insignificantes que, no final, são as únicas que realmente importam.

e mesmo assim, depois de tudo, eu não consigo te odiar.

acho que essa é a parte mais cruel.

porque seria muito mais fácil se eu te odiasse.

mas eu continuo olhando para você e enxergando alguém que eu acredito ser muito maior do que esse medo.

muito maior do que essa fuga.

muito maior do que essa história que você conta para si mesmo sobre ser complicado demais para ser amado.

você é só um ser humano.

e eu queria que você tivesse se permitido ser um.

só isso.

sem tragédia.

sem papel de mártir.

sem transformar amor em despedida antes da hora.

se um dia você ler isso, eu só espero que saiba de uma coisa:

eu fiquei.

até o fim, eu fiquei.

eu escolhi você quando era difícil.

eu escolhi você quando estava com medo.

eu escolhi você quando teria sido mais fácil correr.

e, por muito tempo, eu achei que você faria o mesmo.

talvez eu esteja errada.

talvez não.

mas agora essa resposta não pertence mais a mim.

pertence a você.

e eu espero, sinceramente, que um dia você descubra se o que te assustava era o amor que existia aqui ou a coragem que ele exigia de você.

porque existe uma diferença enorme entre perder alguém e abandonar alguém.

e eu acho que, no fundo da sua alma, você sabe exatamente qual das duas coisas aconteceu aqui.

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