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A Força Entre a Morte e o Diabo

Quando a Morte encontrou o Diabo, ninguém percebeu o que estava acontecendo.

Porque, de longe, parecia apenas mais uma história de amor.

Mas não era.

Era uma Torre.

Duas, na verdade.

Duas estruturas antigas prestes a desabar.

A Morte chegou carregando seus finais.

As cicatrizes.

Os renascimentos.

A habilidade quase sobrenatural de continuar caminhando depois que tudo acabava.

O Diabo chegou carregando suas correntes.

Os medos.

As inseguranças.

As dúvidas que ninguém via.

A parte dele que queria amar e a parte dele que tinha medo do que o amor exigiria.

E entre eles nasceu a Força.

Não a força dos guerreiros.

Não a força das batalhas.

A outra.

A força de permanecer.

A força de olhar para alguém e continuar escolhendo ficar quando seria mais fácil fugir.

Porque foi isso que eles fizeram desde o início.

A Morte olhou para o Diabo e enxergou o homem escondido atrás das sombras.

O Diabo olhou para a Morte e enxergou a mulher escondida atrás da armadura.

E, sem perceber, começaram a revelar um ao outro tudo aquilo que passaram a vida tentando esconder.

Foi por isso que doeu.

As pessoas acham que as relações difíceis são aquelas onde não existe amor.

Mas as relações que realmente mudam uma vida são aquelas onde existe amor demais.

Amor suficiente para iluminar todos os lugares escuros.

Amor suficiente para mostrar cada ferida.

Cada medo.

Cada ausência.

Cada insegurança.

A Torre apareceu porque as ilusões precisavam cair.

A Morte apareceu porque algo precisava se transformar.

Os Enamorados apareceram porque amar nunca foi o problema.

Escolher amar é que sempre foi.

E então veio a grande pergunta.

A pergunta que atravessava toda a história.

A pergunta escondida no centro da matriz.

A pergunta que a Força sussurrava todas as noites:

— O que vocês vão escolher?

O amor?

Ou o medo?

Porque a Morte tinha medo de esperar para sempre.

E o Diabo tinha medo de perder aquilo que amava.

A Morte queria construir um lar.

O Diabo queria ter certeza de que conseguiria habitá-lo.

A Morte queria respostas.

O Diabo queria tempo.

E os dois, sem perceber, caminhavam em direção ao mesmo lugar.

Um Sol distante.

Uma promessa de clareza depois da tempestade.

Uma possibilidade de felicidade depois de todas as transformações.

Mas o Sol nunca pertenceu a quem corre.

Pertence apenas a quem atravessa.

Por isso a história deles nunca foi sobre destino.

Nunca foi sobre almas gêmeas.

Nunca foi sobre encontrar a pessoa perfeita.

Foi sobre duas pessoas imperfeitas olhando para os próprios monstros e decidindo, dia após dia, se seriam governadas por eles.

Porque no centro daquela matriz existia um número.

O onze.

A Força.

E talvez a Força nunca tenha significado coragem para lutar.

Talvez ela sempre tenha significado coragem para amar.

Mesmo quando amar assusta.

Mesmo quando amar transforma.

Mesmo quando amar exige que uma parte antiga de nós morra para que algo novo possa nascer.

E talvez seja por isso que a Morte encontrou o Diabo.

Não para destruí-lo.

Não para salvá-lo.

Mas para ensinar que algumas correntes só desaparecem quando alguém tem coragem de ficar.

E que algumas pessoas entram na nossa vida não para nos completar.

Mas para nos transformar para sempre.

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