Descobrir que o seu arcano pessoal é A Morte assusta as pessoas.
Elas fazem aquela pausa desconfortável. Aquele sorriso sem graça. Como se tivessem recebido uma notícia ruim.
Mas quem nasce sob o Arcano XIII aprende cedo que a morte nunca foi sobre morrer.
É sobre ficar.
Ficar depois que tudo acaba.
Ficar depois que o mundo desmorona.
Ficar depois que as pessoas vão embora.
Ficar quando a versão de você que existia ontem já não existe mais.
Existem pessoas que passam a vida inteira sendo uma só.
E existem aquelas que vivem muitas vidas dentro da mesma existência.
A menina que acreditava em certas coisas morre.
A adolescente que jurava que nunca suportaria determinada dor morre.
A mulher que achava que precisava agradar todo mundo morre.
Os sonhos mudam. As cidades mudam. Os amores mudam. A forma de olhar para o espelho muda.
E você percebe que já enterrou tantas versões de si mesma que perdeu a conta.
O problema de carregar o Arcano XIII não é a transformação.
É que ela nunca pede licença.
Ela chega arrancando tudo aquilo que já não cabe.
Às vezes um relacionamento.
Às vezes uma amizade.
Às vezes uma certeza que você tinha sobre a vida.
Às vezes a própria pessoa que você acreditava ser.
E dói.
Porque toda transformação exige um luto.
Mesmo quando ela é necessária.
Mesmo quando ela é bonita.
Mesmo quando ela salva você.
Quem carrega esse arcano aprende que crescer não é acumular.
É deixar partir.
É ter coragem de abandonar aquilo que já não faz sentido, mesmo quando ainda existe amor.
É olhar para os escombros e entender que o fim de alguma coisa não significa o fim de tudo.
Pelo contrário.
Significa espaço.
Espaço para que algo novo nasça.
Talvez seja por isso que pessoas do Arcano XIII pareçam tão fortes.
Não porque não sintam dor.
Mas porque já sobreviveram a tantas pequenas mortes que aprenderam uma verdade que muita gente leva anos para descobrir:
nada permanece.
Nem a tristeza.
Nem o medo.
Nem os fracassos.
Nem as versões de nós que acreditávamos ser definitivas.
Tudo passa.
Tudo se transforma.
Tudo renasce.
E talvez o verdadeiro significado de nascer sob o Arcano da Morte seja esse.
Não ser alguém destinado ao fim.
Mas alguém destinado a recomeçar.
Quantas vezes forem necessárias.

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