Sim, ele é diretamente pra você.
Eu não sei se você tá lendo isso ou não. Mas vou imaginar que tá. E, se estiver, isso já diz muita coisa.
Porque significa que você continua me acompanhando daqui, de longe, em silêncio. Significa que, de alguma forma, você ainda procura notícias minhas. E eu fico me perguntando: por quê?
Quanto tempo você pretende continuar fazendo isso?
Porque existe uma diferença enorme entre olhar e permanecer. Entre sentir falta e fazer alguma coisa sobre isso.
E sabe o que é engraçado?
Eu já me desliguei de você de todas as formas que eu consegui.
Eu apaguei seu número.
Apaguei nossas chamadas.
Bloqueei seu perfil.
Apaguei conversas, registros, rastros. Tudo que eu conseguia alcançar com a mão eu fui removendo da minha vida, porque eu precisava sobreviver ao que você fez.
Tudo.
Menos uma coisa.
E você sabe exatamente do que eu estou falando.
Eu deixei uma única porta aberta porque ela precisava me provar uma coisa.
E eu acho que ela vem provando.
Porque existem pequenas coisas acontecendo. Pequenos movimentos. Pequenos sinais. Pequenos silêncios que dizem mais do que palavras.
E nós dois sabemos disso.
Nós dois sabemos o que estamos fazendo.
Então eu queria entender até quando.
Até quando você pretende ficar preso nesse lugar?
Até quando você pretende me assistir de longe sem fazer nada?
Porque eu sei que você está perdido na sua própria confusão. Eu sei que existe medo. Eu sei que existe culpa. Eu sei que existe uma guerra inteira acontecendo dentro da sua cabeça.
Mas eu também sei outra coisa.
Eu sei do tamanho do amor que existe aí.
E eu sei do tamanho da obsessão também.
Porque se não existisse nada, você já teria desaparecido completamente.
E você não desapareceu.
Você continua olhando.
Continua procurando.
Continua tentando estar presente sem realmente estar.
Só que existe uma coisa que talvez você não esteja percebendo.
Você está conseguindo atingir uma parte minha muito fria.
Uma parte que eu nunca quis que existisse entre nós.
E ela está crescendo.
A cada dia.
A cada silêncio.
A cada ausência.
A cada vez que você escolhe não fazer nada.
Eu me desligo um pouco mais.
E enquanto isso acontece, a vida continua me chamando.
Todos os dias.
Ela me mostra caminhos.
Me mostra oportunidades.
Me mostra pessoas.
Me mostra lugares.
Me mostra sonhos.
Me mostra versões minhas que ainda nem existem.
E essas coisas gritam.
Elas me chamam pelo nome.
Elas me puxam para frente.
E eu já estou indo.
Eu não fiquei parada.
Eu não congelei no dia em que você foi embora.
Eu continuo estudando, trabalhando, sonhando, construindo. Continuo vivendo.
Mas existem algumas portas que eu ainda não atravessei.
Não porque eu não possa.
Não porque eu não queira.
Mas porque uma parte de mim gostaria que você estivesse ali.
Gostaria de compartilhar algumas conquistas.
Algumas viagens.
Algumas histórias.
Alguns capítulos.
Gostaria que você visse certas coisas acontecendo de perto.
Só que, conforme os dias passam, isso vai mudando.
Vai diminuindo.
Vai sumindo.
Um pouco mais a cada manhã.
Um pouco mais a cada noite.
Porque a vida não espera ninguém para sempre.
E eu também não.
Então a pergunta que fica é:
quantas semanas mais são necessárias?
Porque eu sei que só faz uma semana.
Mas e depois?
Duas?
Três?
Um mês?
Dois?
Quanto tempo é suficiente para você decidir o que quer fazer?
Porque o relógio não está parado para mim.
A vida continua me oferecendo coisas bonitas todos os dias.
E eu tenho aprendido a aceitar essas coisas.
Tenho aprendido a olhar para frente.
Tenho aprendido a imaginar futuros onde você não existe.
E isso deveria assustar você mais do que me assusta.
Porque eu já sobrevivi a perdas antes.
Eu sei seguir.
Eu sei recomeçar.
E quando eu sigo em frente de verdade, eu sigo.
Então me diz:
você quer mesmo entrar aqui daqui um mês?
Daqui dois?
Daqui três?
E encontrar textos que já não são mais sobre você?
Encontrar histórias que não te pertencem mais?
Ver alguém ocupando lugares que um dia poderiam ter sido seus?
Porque eu prometo uma coisa: quando eu parar de olhar para trás, você não vai perceber no dia em que acontecer.
Você vai perceber depois.
Quando for tarde.
Quando a curiosidade virar saudade.
Quando a saudade virar arrependimento.
E quando você finalmente se perguntar como teria sido.
Como teria sido me apresentar para o seu mundo sem pressa.
Como teria sido me deixar conhecer a sua família aos poucos.
Como teria sido construir uma rotina juntos.
Como teria sido compartilhar filmes, viagens, domingos, conversas intermináveis e uma vida inteira de pequenas coisas.
Porque a verdade é que eu nunca quis invadir o seu espaço.
Nunca.
Eu poderia ter ido devagar.
Eu poderia ter esperado.
Eu poderia ter respeitado cada medo seu, cada limite seu, cada dificuldade sua.
Tudo isso era conversável.
Tudo isso era ajustável.
Tudo isso poderia ter sido construído.
Mas agora existe uma mágoa enorme entre nós.
E eu imagino que você pense nela também.
Imagino que você se pergunte como resolver uma coisa que ficou tão quebrada.
E a resposta é que eu não sei.
Talvez você também não saiba.
Mas a gente podia ter descoberto isso junto.
Era isso que duas pessoas que se amam deveriam fazer.
Descobrir juntas.
Antes que a vida me leve para tão longe que você vire apenas mais uma história que eu conto quando alguém me pergunta sobre os amores que não tiveram coragem de ficar.

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