TheGioBlog

it´s just me

quando eu deixo a música de lado, eu também me deixo

eu não sei exatamente em que momento isso começou a pesar tanto
mas começou

acho que foi aos poucos
um dia mais corrido
outro também
uma semana em que eu não consegui parar
e, quando eu vi, a música já não estava mais ali do jeito que sempre esteve

e isso não parece grande pra quem vê de fora
parece só falta de tempo
rotina
vida acontecendo

mas não é só isso

pra mim, a música nunca foi um detalhe
nunca foi um hobby que eu encaixo quando sobra espaço
ela sempre foi um lugar

um lugar onde eu me encontro
onde eu respiro diferente
onde eu faço sentido

e agora eu sinto que estou vivendo longe disso
como se eu tivesse me afastado de uma parte essencial de mim
e fingindo que está tudo bem

mas não está

tem dias que eu sinto um vazio muito específico
que não é cansaço
não é só estresse
é ausência

é saber que tem algo em mim que está sendo deixado de lado
e que eu estou permitindo isso

e isso dói de um jeito estranho
porque não é uma dor que explode
é uma dor que fica
constante
silenciosa
pesada

eu começo a me sentir triste sem motivo claro
desanimada
como se nada encaixasse direito
e, no fundo, eu sei de onde vem

vem disso

de não estar cantando
de não estar vivendo a música
de não estar me permitindo ser quem eu sou quando eu faço isso

é como se eu estivesse me traindo um pouco todos os dias
trocando algo que eu amo por uma rotina que não me preenche do mesmo jeito

e o que mais pesa é sentir que isso não é visto

eu sinto que meus pais não percebem
não entendem o quanto isso é sério pra mim
o quanto cantar não é só um gosto
é estudo
é dedicação
é uma vontade real de investir tempo nisso

é algo que existe dentro de mim com força
mas que parece invisível pra quem está de fora

e aí vem a faculdade
as novas obrigações
os prazos
a rotina que só cresce

e, de repente, o espaço que já era pequeno
fica menor ainda

e eu vou empurrando
adiando
me prometendo que depois eu volto

mas esse “depois” nunca chega

e eu fico me perguntando
em que momento eu aceitei viver sem isso?

em que momento eu comecei a tratar como opcional
algo que, pra mim, sempre foi essencial?

eu não quero que a música vire uma lembrança
não quero que vire algo que eu digo que “já foi importante”
como se fosse uma fase que passou

não foi fase
não é fase

sou eu

e eu acho que o que mais me assusta
é perceber que ninguém vai me devolver isso
se eu mesma continuar deixando de lado

porque não é só falta de tempo
é falta de escolha

e talvez o que eu mais precise admitir agora
mesmo que doa
é que eu preciso parar de esperar o momento ideal

e começar a fazer caber

nem que seja pouco
nem que seja imperfeito
nem que seja no meio do caos

porque continuar assim
sem música
sem esse pedaço de mim

não está sendo só difícil

está sendo insustentável

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