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it´s just me

a diferença entre controle e verdade

existe uma imagem que as pessoas constroem de mim com muita facilidade

a de alguém resolvida, segura, emocionalmente estável, que sabe exatamente o que está fazendo

e, em parte, isso não está errado

eu sei o que eu quero
eu sei me posicionar
eu sei quando algo não me serve mais
eu sei me reconstruir quando preciso

mas essa não é a história inteira

existe um outro lado, menos visível, que não aparece nas conversas, nem nas decisões bem tomadas, nem na forma como eu me apresento

é o lado que sente demais

não de forma leve, nem passageira, mas intensa, constante, difícil de ignorar

e é nesse ponto que surge um conflito que tem sido cada vez mais presente

eu sou, ao mesmo tempo, uma pessoa que entende racionalmente o que acontece ao redor e alguém que reage emocionalmente antes mesmo de conseguir organizar esse entendimento

isso gera reatividade

em momentos de tensão, eu não recuo imediatamente
eu quero resolver
eu quero respostas
eu quero clareza
e, principalmente, eu quero interromper o desconforto o mais rápido possível

não é sobre exagero

é sobre intensidade

depois que passa, eu volto para um estado mais racional, mais analítico, mais alinhado com quem eu sei que sou

mas o intervalo entre essas duas versões existe
e ele é real

o problema é que, para tentar equilibrar isso, eu acabo me colocando em posições que não são verdadeiras

eu reduzo o que sinto
eu finjo indiferença onde existe envolvimento
eu tento parecer menos intensa do que sou

como uma forma de controle

o resultado é uma sensação constante de desalinhamento

porque eu sei quem eu sou, mas ao mesmo tempo estou sempre ajustando essa versão para caber em expectativas, dinâmicas ou até em pessoas

e isso cobra um preço

principalmente quando eu começo a perceber que, na maioria das vezes, sou eu quem se adapta mais

sou eu quem tenta entender mais
ceder mais
equilibrar mais
pensar antes de reagir
reformular o que sente para não gerar conflito

enquanto, do outro lado, isso nem sempre acontece na mesma medida

e essa diferença, mesmo que sutil, vai acumulando

vira desgaste
vira frustração
vira a sensação de estar sempre um passo além emocionalmente, mas sozinha nesse movimento

essa pressão não se limita às relações

ela também aparece de forma muito clara na maneira como eu penso o meu futuro

existe uma cobrança constante para que tudo faça sentido, para que tudo avance, para que eu não perca tempo, para que eu construa algo sólido e definitivo

e, junto disso, existe uma vontade igualmente forte de sair daqui

de recomeçar em outro lugar
de viver com mais leveza
de não carregar o mesmo peso emocional em todos os espaços

cambridge foi um recorte muito claro disso

não só pelo contexto, mas pela forma como eu existia ali

eu não estava o tempo inteiro me analisando
não estava tentando equilibrar versões minhas
não estava lidando com essa pressão contínua de corresponder

eu simplesmente vivia

e essa diferença é difícil de ignorar depois que é sentida

o contraste entre quem eu sou nesses dois cenários escancara o quanto parte desse peso não é inevitável, mas construído

ainda assim, voltar para esse estado não é automático

porque, mesmo entendendo tudo isso, eu continuo sendo alguém que sente intensamente

que, em alguns momentos, reage mais do que gostaria
que busca controle quando o que existe é incerteza
e que, às vezes, se perde tentando equilibrar o que sente com o que acredita que deveria sentir

o ponto não é negar nenhuma dessas versões

elas coexistem

a questão é entender como viver sem transformar essa intensidade em um problema constante

e, principalmente, sem me afastar de mim mesma no processo

porque, no fim, não se trata de deixar de sentir

mas de não se perder toda vez que isso acontece

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